PF prende 20 suspeitos de controle da internet do tráfico
Polícia Federal cumpre 23 prisões e 24 buscas em operação contra esquema de extorsão de serviços de internet nas favelas da Zona Norte do Rio.
Um esquema que transformou a internet em arma de extorsão nas favelas da Zona Norte do Rio acabou de ser desmantelado, mas os detalhes revelam um negócio milionário que operava à sombra da violência.
Na segunda‑feira (19), a Polícia Federal cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé, prendendo ao menos 20 suspeitos de integrar a rede de controle da oferta de internet.

A estrutura criminosa atuava nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, usando violência, ameaças e empresas de fachada para lucrar com o serviço. De acordo com a investigação, traficantes armados cortavam cabos, incendiavam equipamentos de operadoras concorrentes e impediam equipes técnicas de fazer reparos, criando um clima de intimidação que dificultava a concorrência. Essa estratégia obrigava moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”, já que as opções legítimas eram constantemente sabotadas. Os provedores autorizados pela facção pagavam uma espécie de taxa mensal para operar nesses territórios, garantindo exclusividade e permitindo a arrecadação de valores significativos. Além do controle técnico, o grupo mantinha uma rede de cobrança que incluía visitas de capangas para assegurar o pagamento, consolidando um modelo de negócio que combinava extorsão, monopólio e lavagem de dinheiro. A operação também se valia de empresas de fachada que registravam faturas falsas, dificultando o rastreamento dos recursos. Segundo a PF, a receita mensal ultrapassava milhões de reais, financiando a compra de armas e a manutenção de quadrilhas armadas nas áreas dominadas.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores ligados a 40 pessoas e 42 empresas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos e empresas de contabilidade, como parte da tentativa de desarticular a rede financeira do grupo.
Documentos apreendidos revelam que, em apenas um mês, a exploração da internet representou mais de 40% de toda a arrecadação do grupo criminoso no Complexo da Penha, confirmando a importância econômica do esquema. Os lucros eram ocultados por meio de empresas de fachada, produtoras de eventos, imóveis de luxo adquiridos com dinheiro vivo e investimentos em criptomoedas.

Segundo a Polícia Federal, um dos chefes históricos do grupo, preso há quase 30 anos e mantido em presídio federal, continuava a comandar os negócios por intermédio de parentes e aliados. Os investigados poderão responder por extorsão, lavagem de dinheiro, interrupção de serviços essenciais, exploração clandestina de telecomunicações e domínio social estruturado.
Com informações de Radioagência Nacional (EBC). Leia a matéria original.
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