Horário Eleitoral no Rádio e TV Pesa Mais Para Indecisos, Aponta Pesquisador da UERJ
Cientista político João Feres explica que programa de rádio e TV ajuda quem busca proposta e reduz ataques diretos entre candidatos.
Em meio ao bombardeio diário de conteúdos nas redes sociais e aplicativos de mensagens, uma pergunta ganha força a poucas semanas do pleito: a tradicional propaganda eleitoral na televisão e no rádio ainda é capaz de definir o resultado das urnas? Embora muitos apostassem na perda definitiva do protagonismo dos veículos tradicionais, levantamentos recentes mostram que a transmissão oficial de dados e propostas partidárias preserva uma função decisiva na reta final das campanhas.
De acordo com avaliação do cientista político João Feres, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a propaganda gratuita em cadeia de rádio e TV continua sendo uma ferramenta crucial para orientar quem ainda não decidiu em quem votar. Em entrevista concedida à Rádio Câmara, o pesquisador ressaltou que, embora o horário eleitoral tenha perdido parte do apelo de massa do passado, seu impacto é proporcionalmente maior sobre a parcela do eleitorado que busca dados concretos antes de confirmar a escolha.
A relevância do espaço tradicional é respaldada por dados de opinião pública. Um levantamento do instituto BTG/Nexus realizado antes do início das transmissões indicou que 68% dos eleitores pretendiam acompanhar o horário gratuito no rádio e na televisão. Conforme analisou o professor João Feres, os dados segmentados por perfil ideológico revelam que a busca por esse conteúdo é significativamente maior entre os eleitores indecisos, demonstrando que o programa cumpre sua função central de informar quem está em busca de propostas. Além disso, o especialista apontou uma clara diferenciação de postura adotada pelos candidatos em cada plataforma. Na televisão e no rádio, as candidaturas tendem a apresentar um tom mais propositivo e conciliador, evitando confrontos diretos e ataques pesados, uma vez que pesquisas indicam rejeição do público a campanhas agressivas na mídia tradicional. Em contrapartida, as estratégias de desconstrução e propaganda negativa são frequentemente redirecionadas para grupos fechados em aplicativos como o WhatsApp, enquanto plataformas como o Facebook concentram o público mais velho e o Instagram foca os jovens.

Pelas regras vigentes da legislação eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a veiculação das inserções no rádio e na TV segue de forma contínua na programação diária até três dias antes da votação. O modelo garante tempo proporcional à representação partidária no Congresso Nacional, o que faz com que grandes coligações disponham de maior alcance para expor projetos e fixar imagens


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