Amazônia e Cerrado registram menor desmatamento da história
Dados oficiais do Prodes apontam reduções expressivas na Amazônia e no Cerrado entre 2025 e 2026.
O desmatamento na Amazônia e no Cerrado brasileiro atingiu o menor patamar de toda a série histórica dos dois biomas, conforme dados divulgados nesta sexta-feira pelo sistema oficial de monitoramento por satélite Prodes, vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia registrou a perda de 3.335 km² de floresta. O resultado representa uma retração de 42% em relação ao ciclo anterior e de 71% no comparativo de quatro anos. O estado do Pará manteve-se na liderança da área devastada, mas contabilizou uma queda de 45% na região. No Cerrado, o levantamento apontou a supressão de 5.517 km² de vegetação nativa, configurando o menor valor desde o início da série, em 2001. A queda foi de 24% em um ano e de 48% em quatro anos, lembrando que parte da supressão nesse bioma conta com autorização da legislação vigente e não sofre embargos ou multas.

O Ministério do Meio Ambiente atribui a queda expressiva à retomada dos planos de combate ao desmatamento implementada a partir de 2023. Desde então, o Ibama executou mais de 76.000 ações de fiscalização em todo o território nacional. Nos 80 municípios considerados prioritários na Amazônia, a retração na devastação alcançou 75% ao longo de quatro anos. Além da fiscalização rigorosa, a gestão federal passou a empregar o crédito rural como ferramenta econômica de desestímulo à derrubada ilegal de vegetação.

Segundo o secretário extraordinário de controle do desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, a estratégia consistiu em restringir o acesso a recursos para quem infringe a lei. “Mais de R$ 12 bilhões nos últimos quatro anos do Plano Safra, do crédito rural subsidiado, deixaram de fluir para quem desmata ilegalmente e ficaram disponíveis para quem não desmata ilegalmente. Então, isso é uma reorientação de fluxo financeiro para a produção agropecuária sustentável”, declarou o secretário. A pasta calcula que a queda no desmatamento entre 2023 e 2026 evitou a liberação de mais de 1,1 bilhão de toneladas de gás carbônico, volume equivalente às emissões anuais do Japão.
O avanço nos índices também está atrelado à modernização tecnológica do monitoramento espacial. Cláudio Almeida, pesquisador do Inpe, detalhou a evolução dos métodos aplicados pelo instituto. “Como o Inpe vem melhorando sua capacidade de monitoramento, ele vem aplicando novas técnicas. A gente tem usado algoritmos com inteligência artificial, computação em nuvem e, mais importante de tudo, é que esses algoritmos e essa nuvem é uma nuvem soberana, é a nuvem do Inpe, é a nuvem do MCTI. A gente não depende de nenhuma organização fora do país para fazer isso. A nossa tecnologia, a nossa capacidade nos permite gerar essa informação com precisão e rapidez”, afirmou.
Complementando os anúncios oficiais, o Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destinou R$ 147.600.000 para a criação de um novo sistema de monitoramento. Com o apoio de inteligência artificial, a nova ferramenta vai unificar as plataformas Prodes e Deter, transformando a taxa oficial de desmatamento — atualmente divulgada anualmente — em um índice de produção mensal.
Com informações de Radioagência Nacional (EBC). Leia a matéria original.


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