SUS vai disponibilizar três novos medicamentos de alto custo contra câncer de pulmão
Medida do Ministério da Saúde beneficiará cerca de 1,9 mil pacientes com terapias que chegam a custar R$ 643 mil na rede privada.
O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a ofertar, de forma gradual a partir de outubro de 2026, três novos medicamentos de alta tecnologia para o tratamento do câncer de pulmão de células não pequenas. A medida foi oficializada pelo Ministério da Saúde e beneficiará cerca de 1,9 mil pacientes no primeiro estágio de implementação, cobrindo terapias que chegam a custar até R$ 643 mil por ano na rede privada.

A incorporação abrange os fármacos brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe, que passam a integrar a nova política de Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco). Enquanto o brigatinibe e o gefitinibe constituem terapias-alvo orais indicadas para tumores com mutações genéticas específicas nos genes ALK e EGFR, o durvalumabe atua como imunoterapia de ponta, estimulando o próprio sistema imunológico do paciente a combater o tumor em casos em estágio III não passíveis de cirurgia.
A inclusão dessas tecnologias representa um divisor de águas no atendimento oncológico público do país, uma vez que dois dos remédios, por serem administrados via oral na forma de comprimidos, permitem que o tratamento seja realizado diretamente na residência do paciente, reduzindo expressivamente a necessidade de internações hospitalares e deslocamentos frequentes. Além da comodidade operacional, as terapias-alvo apresentam índices reduzidos de efeitos colaterais severos quando comparadas aos esquemas tradicionais de quimioterapia citotóxica. Já no caso do durvalumabe, estudos clínicos demonstraram um avanço substancial na sobrevida global de pacientes diagnosticados com tumor de pulmão em estágio avançado, consolidando uma alternativa terapêutica decisiva para casos que anteriormente dispunham de opções extremamente restritas no sistema público. Segundo dados do Ministério da Saúde, a Assistência Farmacêutica Oncológica contará com um orçamento anual estimado em R$ 2,1 bilhões para garantir a oferta de 23 medicamentos de alto custo no SUS, ampliando em 35% a capacidade de atendimento na rede pública e reduzindo barreiras financeiras históricas que afetavam milhares de famílias brasileiras acometidas pela doença.
O câncer de pulmão é uma das neoplasias de maior incidência e mortalidade no Brasil, acometendo anualmente cerca de 18.730 homens e 16.650 mulheres, de acordo com dados epidemiológicos oficiais. A alta complexidade e o custo financeiro elevado desses fármacos na rede privada — onde a combinação de brigatinibe e gefitinibe ultrapassa R$ 604 mil anuais e o durvalumabe excede R$ 643 mil — tornavam o acesso praticamente inviável para a maior parte da população sem cobertura de planos de saúde ou decisões judiciais individuais.

Para viabilizar a implementação sem comprometer a sustentabilidade financeira, a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, ressaltou o empenho da pasta em negociações diretas com a indústria farmacêutica. "Estamos em diálogo contínuo com a indústria farmacêutica para viabilizar, da forma mais ágil possível, a oferta desses medicamentos no SUS. A ampliação das opções de tratamento é fundamental para fortalecer o cuidado e representa um avanço na assistência oncológica, com potencial para beneficiar ainda mais pacientes e salvar vidas", afirmou a secretária.
A iniciativa foi recebida de forma altamente positiva por entidades médicas e associações de pacientes em todo o país. Especialistas da área de oncologia ressaltam que a centralização do financiamento e a aquisição coordenada pelo Ministério da Saúde evitam discrepâncias regionais na distribuição e garantem maior equidade no tratamento de pacientes atendidos em diferentes estados brasileiros.
Com as primeiras remessas previstas para chegar aos centros de referência em oncologia em outubro de 2026, a nova política reforça o compromisso com o fortalecimento e a modernização do sistema público de saúde. Para continuar acompanhando as principais atualizações sobre saúde, avanços da medicina e políticas públicas no Brasil, continue atento às coberturas do TrickNet News.


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