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Estudo da Câmara revela desvio de emendas de segurança de áreas violentas

Pesquisa inédita da Consultoria de Orçamento aponta que quase 100% dos municípios mais violentos não receberam recursos parlamentares entre 2022 e 2026, enquanto verbas se concentram em poucas cidades.

Estudo da Câmara revela desvio de emendas de segurança de áreas violentas

Uma análise alarmante da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados (CONOF), divulgada em agosto de 2026 a pedido da Liderança do PSOL, revelou uma profunda distorção na aplicação das emendas parlamentares destinadas à segurança pública. Intitulado “Emendas Parlamentares e Segurança Pública: Análise entre a Aplicação dos Recursos Públicos e Indicadores de Violência Municipal”, o estudo aponta que, entre 2022 e 2026, a vasta maioria dos municípios brasileiros que mais sofrem com a violência não foram contemplados com esses recursos essenciais. Quase 100% das cidades com índices de violência acima da média estadual não receberam verbas de segurança por meio de emendas no período analisado. Essa constatação levanta sérias questões sobre a eficácia da atual sistemática de alocação e o real impacto dos bilhões de reais direcionados anualmente para o setor. A pesquisa, elaborada pelos consultores de orçamento Eugênio Greggianin, Fidelis Antônio Fantin Júnior e Giordano Bruno Ronconi, com a colaboração dos analistas legislativos Bruno Dutra e Gabriel Mendonça, empregou indicadores inéditos para avaliar a focalização territorial das emendas, expondo uma desconexão preocupante entre a necessidade e a destinação dos fundos. Os dados utilizados são robustos, provenientes de fontes como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública e o Sistema Integrado de Administração Financeira, garantindo a solidez das conclusões apresentadas. Este cenário contrasta com o aumento significativo no volume de emendas para segurança, que cresceu 96% entre 2022 e 2024, saltando de R$ 346 milhões para R$ 672 milhões, sem, contudo, resultar em um melhor direcionamento dos recursos para as áreas mais críticas do país. A falta de uma política setorial clara e de um plano nacional que oriente a distribuição dessas verbas parece ser um dos principais entraves para que as emendas cumpram seu papel de reforçar a segurança onde ela é mais urgente.

O detalhamento do estudo da CONOF é ainda mais revelador. Em 2025, por exemplo, o município de São Caetano do Sul (SP) recebeu uma fatia desproporcional dos recursos, totalizando R$ 226,4 milhões, o que correspondeu a impressionantes 37,3% de toda a verba nacional para segurança pública via emendas parlamentares. O consultor Giordano Bruno afirmou em entrevista à TV Câmara que os dados não permitem identificar os motivos para essa concentração atípica de recursos em uma única localidade. Essa disparidade sugere que a lógica de distribuição atual pode estar mais atrelada a interesses políticos específicos do que a critérios técnicos de necessidade e vulnerabilidade.

Infographic or chart showing disproportionate allocation of public funds, with one large segment for a specific area and many smaller segments for others, representing the unequal distribution of parliamentary amendments for public security.

A ausência de uma diretriz nacional para a aplicação desses fundos é um ponto crítico levantado pelos consultores. “Os parlamentares conhecem a realidade local, se sensibilizam com as demandas e direcionam os recursos para o que é realmente necessário”, explicou Giordano Bruno. No entanto, ele ressaltou que, “até agora, não há uma cartilha ou uma política setorial para a segurança pública que indique os locais mais prioritários”. Embora o Ministério da Justiça e Segurança Pública tenha lançado a “Cartilha de Emendas Parlamentares 2024” para guiar a alocação de recursos em programas como o “ComprasSusp” e o “Protetor”, a pesquisa recente indica que essa orientação não tem sido suficiente para corrigir a rota dos investimentos para as áreas de maior risco. A lacuna na coordenação entre as demandas locais e uma estratégia nacional de segurança pública persiste como um desafio estrutural.

Em paralelo a essa discussão sobre a efetividade das emendas, o Congresso Nacional tem avançado em outras frentes para aprimorar a legislação de segurança pública. Um dos destaques é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, conhecida como a “PEC da Segurança Pública”. Proposta pelo Poder Executivo e em tramitação desde 2025, a PEC visa redefinir regras sobre segurança pública, defesa social, sistema penitenciário e atividades de inteligência. Entre as principais mudanças propostas, estão a implementação de um regime jurídico mais rigoroso para integrantes e líderes de organizações criminosas, a ampliação da competência da Polícia Federal, a autorização para a Polícia Rodoviária Federal atuar em diversas modalidades federais, a criação da possibilidade de polícias municipais e a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). O texto também prevê a criação do Sistema de Políticas Penais e o reforço dos fundos nacionais de segurança pública e penitenciário. Essa PEC, que foi remetida ao Senado Federal em março de 2026 após passar pela Câmara dos Deputados, representa uma tentativa de reforma mais profunda e estrutural, buscando criar mecanismos de integração e endurecer o combate ao crime organizado, algo que a mera alocação de emendas, sem um direcionamento estratégico, tem se mostrado incapaz de resolver de forma satisfatória. A expectativa é que a votação final ocorra ainda em 2026, moldando o futuro das políticas de segurança no país.

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados tem sido palco de intensos debates e votações sobre propostas legislativas e emendas orçamentárias. Em novembro de 2025, a comissão analisou emendas ao Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2026 (PLN 15/2025), com o senador Marcos Rogério (PL-RO) atuando como relator. Mais recentemente, em julho e agosto de 2026, a CSPCCO realizou reuniões para discutir e votar diversas proposições, demonstrando a constante busca por soluções legislativas para a criminalidade. Além disso, uma nota da Consultoria de Orçamento da Câmara indicou que 64,9% das emendas individuais e de bancada obrigatórias, totalizando R$ 29 bilhões, foram pagas no primeiro semestre de 2026. Contudo, essa execução (47,8%) superou significativamente a de outras despesas discricionárias do Executivo (29%), o que levanta questionamentos sobre a simetria exigida pela Lei Complementar 210/24 e por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A repercussão do novo estudo é imediata e demanda uma reflexão urgente por parte dos legisladores e do Poder Executivo. A ineficácia na destinação das emendas parlamentares para a segurança pública, conforme demonstrado pela CONOF, sublinha a necessidade de se estabelecer critérios mais objetivos e baseados em dados para a distribuição desses recursos. Não basta aumentar o volume de verbas; é imperativo garantir que elas cheguem aos locais onde a população mais necessita de proteção e investimento em infraestrutura e pessoal para as forças de segurança. A discussão sobre a PEC 18/2025 e a atuação contínua da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado evidenciam que há um reconhecimento da complexidade do problema, mas a transição de um modelo de alocação reativo para um proativo e estratégico ainda é um gargalo. A segurança pública, como um direito fundamental, exige uma abordagem integrada e que transcenda interesses localizados, priorizando o bem-estar da coletividade. A sociedade brasileira, que clama por mais segurança, espera que as instituições atuem em consonância para que os recursos públicos sejam empregados com máxima eficiência e impacto nas áreas mais vulneráveis. O desafio é grande, mas a transparência e o direcionamento estratégico são os pilares para construir um futuro mais seguro para todos os cidadãos. É fundamental que os debates em curso no Legislativo resultem em políticas públicas robustas e fiscalizáveis, capazes de transformar os indicadores de violência e trazer alívio às comunidades mais afetadas. A fiscalização contínua por parte da imprensa e da sociedade civil será crucial para assegurar que as recomendações de estudos como este não fiquem apenas no papel, mas se convertam em ações concretas e efetivas que realmente façam a diferença na vida dos brasileiros.

A map of Brazil with certain areas highlighted in red (representing high violence rates) and other areas highlighted in green (representing areas that received security amendments), clearly showing a lack of overlap between the two, illustrating the study's findings.

Diante desse cenário, a destinação das emendas parlamentares para a segurança pública emerge como um ponto nevrálgico da gestão de recursos no Brasil. A desconexão entre os índices de violência e a alocação de verbas, somada à falta de uma política setorial clara, aponta para a urgência de reformas. O Legislativo, em conjunto com o Executivo, precisa consolidar um modelo que garanta que o dinheiro público chegue onde é mais necessário, transformando a realidade da segurança pública no país. O TrickNet News 24/7 continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessa importante discussão.

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ℹ️ Esta matéria foi produzida com o auxílio de inteligência artificial, com busca de informações em tempo real, sob curadoria editorial do TrickNet News 24/7.

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