Segurança Pública: Homicídios Caem, Mas Letalidade Policial e Feminicídios Atingem Recordes
Novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela cenários opostos; debate sobre câmeras corporais e grandes operações marcam julho.
O Brasil vive um momento de contrastes acentuados na área da segurança pública, conforme revelam dados recentes e operações policiais de grande vulto. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta uma queda histórica nas mortes violentas intencionais, mas, em contrapartida, registra um aumento alarmante na letalidade policial e nos feminicídios, alcançando patamares recordes em 2025.
De acordo com o Anuário, o país registrou a menor taxa de assassinatos desde o início da série histórica em 2012, com um índice de 19,1 mortes por 100 mil habitantes em 2025. O número total de mortes violentas intencionais (MVI) foi de 40.775, uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior. Essa queda, que representa um marco na série, é celebrada, mas vem acompanhada de preocupações crescentes em outras frentes da segurança.
Um dos pontos mais críticos do relatório é o aumento da letalidade policial. Em 2025, 6.602 pessoas foram mortas em intervenções policiais, o maior número registrado desde 2016, representando um crescimento de 5,4% em comparação com 2024. Esse dado reacende o debate sobre o uso de câmeras corporais por agentes de segurança. Em discussão realizada em 23 de julho de 2026, especialistas como Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e o coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo, José Vicente da Silva Filho, abordaram os impactos e desafios da adoção desses equipamentos, citando São Paulo como um caso de sucesso na redução de abusos e na produção de provas.
Outro dado que gera grande preocupação é o recorde de feminicídios, com 1.571 vítimas em 2025, uma média de 4,3 mortes por dia e um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Embora o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) tenha apontado uma redução de 2,5% nos feminicídios no primeiro semestre de 2026 (741 casos entre janeiro e junho, ante 760 no mesmo período de 2025), o patamar de 2025 ainda reflete uma escalada da violência de gênero.
Em resposta ao crime organizado e à corrupção, a Polícia Federal (PF) intensificou suas ações em julho de 2026. A Operação Commodity, deflagrada em 23 de julho, desarticulou uma organização criminosa de caráter transnacional envolvida em tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais bilionária, resultando na prisão de nove pessoas e no cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva e 44 de busca e apreensão. Já a Operação Infiltrados, de 21 de julho, mirou um esquema que desviou R$ 45 milhões de clientes da Caixa Econômica Federal, com 25 mandados de busca e apreensão cumpridos em diversas cidades, incluindo Rio de Janeiro e Cabo Frio. Ainda em 23 de julho, a Operação Backdoor investigou o desvio de bens da Receita Federal, com prejuízo estimado em R$ 350 mil.
No âmbito legislativo, o Senado Federal tem trabalhado para fortalecer o combate ao crime. No primeiro semestre de 2026, a Lei 15.397/2026 foi sancionada, aumentando as penas para crimes patrimoniais e fraudes eletrônicas, como furto de celulares e estelionatos. A pena máxima para furto simples, por exemplo, subiu de 4 para 6 anos, e o latrocínio pode resultar em até 24 anos de reclusão, conforme defendido pelo relator, senador Efraim Filho (União-PB). A Comissão de Segurança Pública (CSP) também aprovou propostas, como o PL 4.904/2020 do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que altera as regras de revisão das prisões preventivas, visando agilizar a Justiça e fortalecer o combate ao crime.
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