Mercado financeiro projeta Selic mais baixa, enquanto produção industrial surpreende com queda e reforma tributária avança em fase crucial.
A economia brasileira apresenta um cenário de contrastes neste início de julho de 2026, com o mercado financeiro debatendo a possibilidade de novos cortes na taxa Selic e o mercado de trabalho mantendo um ritmo de geração de vagas. Contudo, a produção industrial registrou um recuo inesperado em maio, e a implementação da reforma tributária entra em uma fase decisiva, exigindo atenção redobrada das empresas.
Analistas do BTG Pactual revisaram para baixo suas projeções para a taxa Selic, esperando que os juros terminem 2026 em 13,75% ao ano, ante os 14,25% anteriores. Essa mudança reflete uma percepção de melhora no ambiente externo, com a queda nos preços do petróleo, e sinais de perda de fôlego na atividade econômica doméstica. Outras instituições financeiras mantêm suas estimativas entre 13,25% e 14,25%. A inflação abaixo do esperado em junho reforça a aposta em mais cortes, embora o Comitê de Política Monetária (Copom) já tenha reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual nas três primeiras reuniões do ano, levando-a a 14,25%.
No front do mercado de trabalho, os dados continuam a indicar resiliência. Em maio de 2026, o Brasil gerou um saldo positivo de 72.960 empregos formais, segundo o Novo Caged, acumulando 767.326 novas vagas com carteira assinada no ano. A taxa de desocupação no trimestre encerrado em maio de 2026 foi de 5,6%, retornando aos menores patamares registrados em 2025. No entanto, persiste um paradoxo: apesar do baixo desemprego, 73% das empresas brasileiras relatam dificuldades para preencher vagas, evidenciando uma lacuna na qualificação profissional.
Em contrapartida, a produção industrial brasileira apresentou um desempenho menos otimista em maio, registrando queda de 0,2% em relação a abril, na série com ajuste sazonal. Esse resultado interrompe uma sequência de quatro meses consecutivos de crescimento e surpreende negativamente o mercado. Os setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, e as indústrias extrativas foram os principais responsáveis pela retração. Por outro lado, o segmento de bens de consumo duráveis demonstrou avanço, impulsionado pela fabricação de automóveis.
A reforma tributária, um dos pilares da agenda econômica, avança para uma etapa prática crucial. A partir de 3 de agosto de 2026, empresas do regime regular serão obrigadas a preencher os campos relativos ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nos documentos fiscais eletrônicos, com uma alíquota teste de 1%. A não conformidade resultará na rejeição dos documentos. Apesar dos regulamentos da CBS e do IBS já terem sido publicados, as alíquotas definitivas ainda aguardam definição, gerando expectativa e necessidade de adaptação por parte do setor produtivo.

A balança comercial brasileira segue robusta, com um superávit de US$ 9,8 bilhões em junho de 2026, um aumento em relação ao mês anterior. No acumulado de janeiro até a primeira semana de julho, o saldo positivo atingiu US$ 44,63 bilhões, representando um crescimento de 39,2% em comparação com o mesmo período de 2025. O Brasil tem intensificado sua estratégia de diversificação de mercados de exportação, buscando reduzir a dependência de parceiros tradicionais e mitigar os riscos de tensões comerciais globais. Esse cenário complexo, com avanços e desafios, delineia a trajetória da economia brasileira no segundo semestre do ano.

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