Legislação rigorosa e ações coordenadas marcam ofensiva federal e estadual contra facções e ilícitos financeiros.
O Brasil vive um momento de forte articulação no enfrentamento ao crime organizado, com a entrada em vigor de uma nova legislação penal e a realização de megaoperações que mobilizam forças de segurança em diversas regiões do país. A ofensiva visa desmantelar redes criminosas complexas, que atuam desde o tráfico de drogas e armas até a lavagem de dinheiro, representando um desafio constante à segurança pública.
Um marco recente é a Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Raul Jungmann, sancionada em março deste ano. A norma estabelece um novo patamar de rigor no combate às organizações criminosas, tipificando o chamado “domínio social estruturado” – o controle territorial por meio de violência – e prevendo penas que podem chegar a 40 anos de reclusão. Além disso, a legislação endurece o tratamento penal para quem apoia essas organizações, incluindo financiamento e divulgação de conteúdos que incentivem práticas criminosas, com penas de até 20 anos de prisão.
Em sintonia com o novo arcabouço legal, as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos), coordenadas pela Polícia Federal (PF), deflagraram uma série de megaoperações em julho, abrangendo 16 estados brasileiros. As ações tiveram como foco a desarticulação de grupos envolvidos em tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e homicídios. Somente em uma dessas operações, foram cumpridos 93 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão, evidenciando a capacidade de atuação integrada das polícias civil, militar e federal.
Para fortalecer ainda mais essa frente, o Senado Federal aprovou em 8 de julho a Medida Provisória (MP) 1.348/2026, que destinará parte da arrecadação das apostas esportivas, as chamadas 'bets', ao Fundo de Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol). A medida visa garantir uma fonte permanente de financiamento para as ações de inteligência, investigação e combate a facções e milícias, reforçando a capacidade operacional da PF.

A tecnologia também se consolida como aliada essencial nesse combate. Projetos como o 'Integra', do Ministério da Justiça e Segurança Pública, têm modernizado as investigações das polícias civis com a disponibilização de equipamentos e softwares avançados para extração e análise de dados de dispositivos móveis, mediante autorização judicial. O programa 'BrasilMAIS' também utiliza imagens de satélite e inteligência geoespacial para monitoramento territorial e combate a ilícitos, ampliando o alcance e a eficiência das ações.
Apesar dos avanços legislativos e operacionais, especialistas alertam para a complexidade do cenário. O cientista político italiano Alberto Vannucci, da Universidade de Pisa, destacou em entrevista recente a natureza simbiótica entre o crime organizado e a corrupção no Brasil, afirmando que um alimenta o outro. Essa interconexão sublinha a necessidade de uma abordagem contínua e multifacetada para proteger as instituições e a sociedade brasileira dos tentáculos do crime.
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